REC-BEAT: Representatividade e Resistência.

Entre os dias 10 e 13 de fevereiro aconteceu um dos maiores eventos de música independente do brasil, o REC-BEAT. Unindo diversas tribos em um só espaço, o palco do REC-BEAT se tornou referência no cenário independente não só pela longevidade do festival, mas também, por ser uma festa multicultural. Desde a sua primeira edição em 1995, o festival que sempre acontece na semana de carnaval; monstra para os amantes de música alternativa o quanto a cena está se renovando e fortalecendo há cada ano. Nesses 23 anos o REC-BEAT se tornou maior, mais forte, mais respeitado… e de uma pequena casa de show em Olinda mudou-se para a Rua da moeda localizada no Recife antigo e logo após, ocupou o cais da alfândega as margens do rio Capibaribe onde permanece até hoje.


Atraindo mais de 100 mil pessoas, por lá já passaram diversas atrações nacionais e internacionais.
No primeiro dia do evento 10/02 se apresentaram DJ Ipek (Alemanha/Turquia), um dos maiores nomes da música eletrônica internacional. Anna Muller (ES), que se destacou no youtube com sua voz marcante e composições de letras fortes, fez o público ir ao delírio em seu primeiro show com banda completa no recife. Daniel Peixoto (ES), cearense que em seu show faz um mix do pop,reggae e eletrônico. Diomedes Chinaski & Luiz Lins (PE), grandes nomes do Rap nordestino lançaram a novidade de fazer um show conjunto, cheio de “peso” e emoção. E para encerrar a noite, MC TOCHA (PE). O cantor que se tornou um dos símbolos do brega funk, foi uma das atrações mais comentadas…dono de diversos hits regravados por artistas nacionais, Tocha mostrou o quanto o brega é forte no estado.

 No segundo dia 11/02 quem abriu o espetáculo foi a DJ Flavya (Estados Unidos),alemã que se divide entre os estados unidos e São Paulo. Flavya é produtora do selo Up Style Record e já produziu música para diversos artistas. Arrete(PE), Grupo de Rap composto pelas MCs Ya Juste, Nina Rodrigues e Weedja Lins, traz em suas letras temas sobre desigualdade social e machismo. Lucas Estrela (PA), que mescla ritmos como carimbó e lambada criando uma sonoridade alegre e inusitada. Javier Diez-Ena (Espanha),com um show bastante peculiar e mágico,o espanhol reinventa as possibilidades do teremim, instrumento criado na década de 1920 na Russia. As músicas são inteiramente construídas no aparelho, que é transformado para ocupar todas as funções musicais: percussão, baixo, melodia e harmonia, resultando numa sinfonia eletrônica. Don L (CE), lançando seu segundo álbum em carreira solo, o raper carioca ficou nacionalmente conhecido no grupo de Rap Costa a Costa. E para encerrar a segunda noite de shows, a cantora Larissa Luz (BA) levantou o público com letras que falam sobre preconceito e empoderamento feminino

No terceiro dia 12/02 quem deu início a noite de shows foi a DJ Grace Kelly (Brasil/Alemanha), com uma forte influência da música afro-brasileira, latino-americana , electro e house e outros…a DJ cria em seu som uma atmosfera que lhe permite viajar em diversas culturas, criando sua própria identidade. João do Pife e Banda Dois Irmãos (PE), músico e artesão de Caruaru-pe, que com sua arte já viajou por diversos países disseminando a tradição e cultura nordestina deixada por seu pai. Carne Doce (GO), a banda goiana de Indie Rock que aborda em suas letras temas polêmicos e reflexivos como o aborto. Fémina (Argentina),trio formado pelas cantoras Clara Miglioli (voz, guitarra) Sofia “Toti” Trucco (voz, guitarra, ronroco) Clara “Wewi” Trucco (voz, percusión, flauta traversa) quem trazem em suas melodias elementos de ritmos latinos como cúmbia, candombe, rumba e bolero…além de uma harmonia vocal incrível que acaba sendo um diferencial dessa banda.  Xenia França (BA), que está lançando seu disco solo que leva o seu próprio nome, “Xenia”. A baiana traz uma forte influência de matrizes afro-brasileira além de estilos como o R&B, rap e Soul.e fechando a terceira noite de shows, o Pernambucano Johnny Hooker (PE) trouxe sucessos do disco “Coração” e “Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!”.

No Quarto e último dia 13/02, quem abriu a noite de espetáculos no Rec-Beat foi o Worm Disco Club (Inglaterra),coletivo de Djs que exploram música dos 4 cantos do mundo fazendo um garimpo das raridades do vinil. Frevália (PE), projeto do cantor Romero Ferro com participação das cantoras Michelle Melo, Monique Kessous e Natália Matos, dá ao Frevo uma nova roupagem sem perder a sua identidade original. Rimas & Melodias (SP), grupo composto pela DJ Mayra Maldjian e as rappers Tássia Reis, Tatiana Bispo, Drik Barbosa, Karol de Souza, Stefanie e Alt Niss estão sendo destaque no hip-hop e se tornando simbolo de representatividade feminina. Black Devil Disco Club (Live) (França),Bernard Fevre foi pioneiro ao desenvolver batidas eletrônicas em 1970 e inserir em seu disco “Black Devil Club”. Otto (PE), trazendo seu novo show “Ottomatopeia”, o artista transita entre o romantismo e a autenticidade da música pernambucana. E encerrando os quatro dias de show no cais da alfândega nada mais nada menos que ele, o tremendão Erasmo Carlos (RJ), grande nome da jovem guarda e Rock and Roll brasileiro, Erasmo trouxe ao festival o seu show “Gigante Gentil”, que misturou clássicos com composições recentes.

* Nossa equipe conversou com algumas atrações da noite e em breve lançaremos as matérias!

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