Raissa Fayet lança “Zoiuda”, seu primeiro single traduzido em libras.

      Recentemente conheci o trabalho da Raissa Fayet e fiquei impressionado com a poesia, sonoridade e a criatividade dela que transita tranquilamente nas vertentes de vários estilos musicais sem comprometer a sua identidade. Em “Rá”, ultimo álbum lançado no começo desse ano, Raissa apresenta uma musicalidade voltada ao MPB. Agora a compositora traz em seu recente trabalho, Zoiuda, uma sonoridade rica em elementos percussivos com o destaque de uma guitarra desconstruída que marca o riff da introdução. 

      Além disso, a dança, a fotografia do clipe e os tambores, nos remete às tribos africanas, onde Raissa diz se inspirar também. Vale ressaltar que a artista inseriu em seu trabalho a tradução em libras, usada como meio de comunicação das pessoas com deficiência auditiva como mais uma forma de expressão para sua arte. O resultado não poderia ter sido melhor. 

                  Foto: Márcia Kohatsu

      Zoiuda é o primeiro single da trilogia Homônima, que conta com a produção de Kastrup. A música fala da conexão do ser humano com a  natureza, o sagrado intimo e a libertação. Confira!  
      O Vitrola Digital conversou com a artista para conhecer um pouco mais do seu trabalho. A matéria você confere logo abaixo:


Conta pra gente como começou a sua relação com a música. 
Eu nasci com a música em casa, minha família é super musical e meus pais ouviam muitos discos durante meu crescer. 
Comecei cedo a tocar e a cantar, com doze anos já desafinava os blems blems do violão pela casa, até que com 17 comecei a tocar ganhando algo em troca.. (risos) 50tao, cachaça … 

Conhecendo seu trabalho podemos perceber o quão diversificada são suas melodias. Além de uma percussão marcante, também é notável algumas características do samba. Fala um pouco das suas influências e o que sempre te inspira à produzir um trabalho novo?
Gosto de muita coisa, gosto de música, independente do estilo.
Mas tenho um crush profundo  com os sons que as mulheres do mundo, ecoam, tocam, cantam, interpretam. Elis Regina / Hindi Zahra / Rokia Traore / Mayra Andrade / Cesaria Evora / Clementina de Jesus / Sara Tavares / Luedji Luna / Céu e mais muitas e muitos também. 
A música Tuareg, Africana , Nordestina .. música! 
Existir me inspira muito, sinto a necessidade urgente de comunicar muitos assuntos importantes, missão mesmo. 

Como foi o processo criativo do clipe “Zoiúda”? 
Foi sensacional, Zoiuda é um ritual sagrado, é a união de muitos seres com propósito recebendo e manifestando os símbolos de cura e empoderamento. É muita cura. Poderia ficar dias contando tantas coisas incríveis que aconteceram em todos os processos, desde o contato com a comunidade que faz parte do elenco, da magia, da ancestralidade, até toda a direção de arte, locação, logística complexa, mas foi fluido e lindo. 

Algo que me chamou bastante atenção foi a linguagem em libras, introduzida no clipe citado acima. Você pensa em produzir outros materiais seguindo a mesma linha de inclusão social? 
Foi um presente, um aprendizado, um trabalho de expansão profunda a poesia sinalizada como fio condutor da ampliação do espectro da comunicação e da arte. 
Sim. A ideia é somar, somos todos um, na mesma embarcação. Temos que nos unir e fortalecer nossa existência.

Quais são os seus planos para os próximos meses? Podemos esperar mais lançamento ainda esse ano?
É uma trilogia, né? Zoiuda é o primeiro portal, mês que vem chega Capim, parceria com Russo Passapusso e na sequência Freeboi, uma canção que fala sobre a indústria que mais destrói a terra, a gente.. o mercado do Boi. Nós somos os bois do sistema, vamos nos libertar!

 



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