BANDA AURI: RESILIÊNCIA

Eles são de Vitória – ES e carregam um som com uma pegada marcante de rock. Além de usar vários elementos musicais, também fazem o uso de ritmos como: o samba, funk e mpb. É possível? Sim! O álbum “Resiliência”, com cinco faixas: “O homem de lata”, “Lar”, “Cais”, “Sonhador de Pé Inchado” e “Manhã”. Gravado no estúdio Gama Soundz; Teve seu lançamento em Outubro deste ano, foi produzido, mixado e masterizado pelo produtor Felipe Gama.  Atualmente disponível no Youtube(Ouça) e em breve no Spotify. É o primeiro álbum lançado pela Banda Auri trazendo uma nova linguagem ao Rock alternativo.

As composições do álbum foram feitas por Everton(vocalista/guitarrista), no entanto, o recheio da obra é um trabalho feito por todos os integrantes. O lyric vídeo “Sonhador de Pés Inchados”, produzido pelo Gabriel Hand (Baixista e também produtor audiovisual), conta com milhares de visualizações no YouTube,e destaca a pluralidade sonora do quinteto.

Conversamos com os integrantes: Thaysa Pizzolato, 25 (Teclado/Synth)Everton Radaell, 24 (Voz/Guitarra)Danilo Galdino, 24 (Guitarra/Backing Vocal)Gabriel Hand, 22 (Baixo/Backing Vocal) e o Bruno Miranda, 25 (Bateria) para saber sobre os projetos da AURI, e conhecer um pouco de cada um por trás dos palcos.

Conte-nos a história do álbum Resiliência (o mais recente). Fiquei curiosa também quanto a arte do disco, creio que este trabalho tem uma história muito massa, compartilha com a gente?

[Ton (vocal)]: Bem, as músicas do Resiliência tiveram suas composições de maneira mais orgânica e quebrada, algumas músicas foram feitas junto de formações antigas, outras com a formação atual, então com isso acabou que rolou no final um processo de pré-produção em cima das músicas pra que sonoramente soassem de uma maneira mais uniforme… Como foi um álbum onde tínhamos as faixas primeiro, antes de ter um conceito inicial, parecido com um livro que primeiro é escrito pra só no fim receber um título e nome…Precisávamos achar algo que sintetizasse o trabalho, e nisso percebemos que todas as músicas do disco falavam de um certo tipo de superação (Devido a todos da banda na época estarem passando/vivendo por situações pessoais de ”resiliência”, seja em quesito social, financeiro, amoroso, familiar…) E que ”Resiliência” era o nome perfeito pra nomear todo o conjunto da obra. Quanto a arte, o bom de ser designer/ilustrador é que eu mesmo consigo produzir os materiais gráficos da banda, e por fazer parte dela temos um briefing mais direto e preciso com relação ao que queremos passar imageticamente com relação ao som! Percebemos que Resiliência tinha muito a ver com caos, mas ao mesmo tempo com calmaria e algo limpo, ou seja, algo como se manter brando e calmo em uma situação de confusão… Então usei como base e referência os trabalhos do artista Jeremy Geddesque expressa bem essa ideia, de algo caótico em uma composição ”clean”. Queríamos um ícone que servisse de símbolo pra ilustrar nossa capa, que representasse bem e por si só a ”Resiliência” e nisso chegamos ao ”tardigrado” ou ”Urso d’agua, um artrópode microscópio que apesar de ser minúsculo e parecer indefeso, é um dos seres mais resistentes que existe, podendo sobreviver às condições do espaço extraterrestre sem a ajuda de equipamentos, à baixas e altas temperaturas Ou seja, símbolo perfeito de ”Resiliência”. 

Qual a relação entre vocês e como se uniram pra formar a banda Auri? 

[Ton (vocal)]: Eu conheço o Kanela (Bruno) a quase 10 anos, nós tínhamos uma banda cover na adolescência, e dai por volta de 2012/2013 quis montar um projeto autoral em português que misturasse sonoridades e estilos diferentes… No começo foi complicado porque precisávamos de pessoas que fossem versáteis tecnicamente pra conseguir reproduzir essas outras sonoridades e também é difícil achar pessoas que estivessem disposta a levar o projeto a diante… Conheci a Thaysa através da primeira guitarrista da Auri, ambas tocavam juntas em uma banda quando mais novas, o Hand eu conheci na faculdade, fizemos um curta de terror juntos (Risos). Nesse processo descobri que ele teve uma banda e tocava baixo, dai convidei ele pro projeto também… E Danilo também tinha uma banda anterior a gente da qual eu tinha amigos em comum, assisti um show acústico dessa banda no interior do estado e na época estávamos procurando um guitarrista que cantasse também, assim que terminou o show fiz o convite e ele aceitou! Já faz mais ou menos 2 anos que estamos juntos.

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Gabriel Hand (Baixo/Backing Vocal), Thaysa Pizzolato (Teclado/Synth), Everton Radaell (Voz/Guitarra), Danilo Galdino (Guitarra/Backing Vocal) e o Bruno Miranda (Bateria)

Usam quais plataformas digitais para compartilhar as suas músicas?

[Thaysa(Teclas)]: Utilizamos YouTube e Spotify como divulgação principal. No YouTube é legal porque além das músicas a gente também posta vídeos de bastidores, making of, é legal pra quem quer conhecer mais um pouquinho da gente. Nossas músicas também estão no Spotify; No momento só o nosso primeiro single “Futuro” está lá, mas logo nosso primeiro CD inteiro também estará disponível na plataforma (problemas técnicos). No Deezer, Apple Music, Tidal e nas demais plataformas de streaming, já é possível encontrar todas nossas músicas.

Quais são as suas referências musicais mais fortes?

 [Ton (vocal)]: Nós literalmente ouvimos de tudo!!! Desde mpb, post rock, blues, jazz, R&B, soul, hip hop, pop, funk, musica instrumental,  bandas japonesas (risos). Tanto que sonoramente acabamos trazendo muito dessa mistura toda, de uma forma antropofágica, pro nosso som! Temos muito de fases também, pro Resiliência nós pegamos mais influências de coisas groovadas, com mais samba, funky e mpb (Bandas como Supercombo, Tokyo Jihen, Red hot chilli peppers, Incubus, Stevie Wonder). Mas atualmente temos ouvido mais R&B, math rock, fusion, jazz, soul e post rock e compondo coisas novas com essa pegada (Bandas como Thrice, Reign of Kindo, Chon, Hiatus Kaiyote, The Dear Hunter, Portishead, Childish Gambino).

O que vocês esperam das pessoas que escutam o som da Banda Auri? (Pergunta de músico para músico).

[Ton (vocal)]: Que elas tenham um ganho de experiência pessoal ao ouvir o nosso som!! Que nossa música acrescente algo a elas… seja um conforto ou aprendizado por identificação com alguma letra, seja prestando atenção em cada camada de arranjo a cada nova ouvida, seja aprendendo alguma palavra nova esquisita (risos). Gosto quando a arte é usada como ferramenta para somar na vida das pessoas e trazer algo positivo, então sempre espero que nossa música faça o mesmo com quem ouvir. Espero que nosso som possa ”contribuir” independente de como seja!

Os integrantes, Thaysa (Teclado/Synth), Bruno (Bateria) e Ton(Vocal/ Guitarra) se abriram um pouco mais com o Vitrola Digital, para compartilhar suas experiências com a música e desejos para o futuro:

Como começou a sua relação com a música?

[Thaysa]: Começou através dos meus pais. Minha mãe e principalmente meu pai sempre gostaram de tocar, meu pai até chegou a tocar profissionalmente por algum tempo. Tanta música em casa acabou me “afetando”, haha. Minha primeira aula de teclado foi lá pelos 11 anos e a partir daí foi um caminho sem volta, haha.

[Bruno]: Começou com meus pais me colocando para fazer aula de violão, nada sério, só pra aprender algo novo. Mas acabei mudando do violão para bateria por problemas de horário, e ai foi aonde o amor pela música e a bateria começou de verdade, e junto o sonho de ter uma banda e mostrar minha música. E por sinal está dando muito certo com essa minha nova Família que é a Auri.

[Ton]: Desde pequeno sempre gostei muito de arte em geral, tanto que fora a banda eu trabalho hoje com artes visuais/design, produzindo imagens, pintando… E desde mais novo sempre consumi muito de arte de entretenimento também, como cinema, videogames… Então minha relação com a música foi de certa forma com muito contato, mesmo que indiretamentemente. Eu aprendi a tocar flauta doce quando criança com meu pai, e cheguei a tocar alguns instrumentos em bandas marciais na escola (Xilofone, trompete, caixa) nessa mesma época… daí quis aprender a tocar violão, eu cheguei até a usar violão com distorção numa época até conseguir minha primeira guitarra (risos). Com relação ao canto, também sempre gostei, mas de forma descompromissada, participei de alguns corais e quando estava mais velho fui convidado a participar de um grupo cover de canto junto de alguns amigos, que tinha uma pegada mais R&B e de harmonização… foi uma época bem legal da qual aprendi muita coisa relacionada a técnicas vocais e melhorei bastante, logo após o término desse grupo o projeto da Auri começou!

Como vocês veem o mercado fonográfico atualmente? Acha que falta oportunidade para músicos independentes?

[Thaysa]: Tudo tem o bônus e o ônus, né? haha Falando na visão de quem tá começando agora: acho que por um lado o “do it yourself” ganhou força, o trabalho independente ficou mais acessível. É mais fácil você gravar seu material e “colocar seu bloco na rua”, por exemplo. Por outro lado, com mais gente conseguindo formas de gravar seu som, a gente sente que falta um pouco de espaço para tocar e divulgar o trabalho de uma forma consistente. Resumindo: De uma forma geral têm melhorado, mas é sempre difícil conseguir espaço. Depois que você grava e lança seu material, vem o famoso “e agora?”. Talvez o melhor lado do momento é que cada vez mais bons trabalhos tendem a surgir. O lance talvez seja criar sua própria oportunidade.

Como vocês se veem daqui a cinco anos?

[Thaysa]: Ricos, famosos, tocando no faustão. hahaha (mentira). Acho que com uma certa estabilidade – o que envolve muita coisa. Estabilidade que nos possibilite divulgar nosso som de uma forma legal, estabilidade que nos permita uma equipe para trabalhar com a gente e, claro, estabilidade financeira. A gente só quer tocar por aí e poder pagar as contas, haha. (nunca sei responder perguntas do tipo, hahaha).

Uma história interessante que aconteceu na trajetória da carreira:

[Thaysa]: A história da Auri é recente, mas eu acho que seja lá quanto tempo nosso projeto durar (espero que para sempre? haha), sempre vou lembrar dos dias de gravação do nosso primeiro CD. Foi tudo muito intenso, divertido e um aprendizado muito importante. Os meses de gravação deixaram a gente bem próximos como banda e amigos. Guardo com muito carinho.

[Bruno]: como a Thaysa já disse antes, a gravação do nosso primeiro CD foi MARAVILHOSA, eu não tinha muita experiência gravando, e passar esse tempo com a galera da banda foi marcante para mim com bastante diversão, trocas de ideias para mudanças nas músicas, e o sentimento de que você finalmente está no caminho certo que é muito bom, fora que é o nosso trabalho tomando forma pra todos conhecerem, é algo sem explicação.

Qual foi a maior dificuldade em todo esse tempo de trabalho?

 [Thaysa]: Acho que nesse pouco mais de um ano, segurar a ansiedade do grupo e às vezes ter que decidir por esperar certas coisas de uma forma geral foi complicado às vezes. Como a gente tá começando, segurar a empolgação nem sempre é fácil pra gente, haha. Mas com o passar do tempo a gente vê que segurar certas coisas e trabalhar melhor faz uma diferença enorme lá na frente. Conseguir recursos pra gravar nosso primeiro álbum também foi bem complexo, hahaha. Mas tudo deu certo no final, ainda bem! E a gente sabe que as dificuldades vão começar pra valer é agora!

[Bruno]: Creio que a ansiedade é uma das coisas mais complicadas de lidar, mas a parte dos recursos para a banda foi bem difícil pra mim, e algumas vezes o horário da banda, mas eu sei que esse investimento não será em vão, e tive bastante ajuda da minha família, que por sorte me apoiou bastante nesse sonho.

[Ton]: Segurar a ansiedade (Ô banda ansiosa, ajá café! haha) e também conseguir conciliar o tempo… Como produzimos nossos próprios materiais, com relação a peças gráficas, vídeos e afins, o trabalho acaba sendo em dobro  e isso é bastante cansativo, tivemos várias noites viradas produzindo material, organizando coisas… E a rotina fora isso de trabalho, família e tudo mais não para, então tem semana que acaba sobrecarregando bastante! Mas tem valido a pena.

Já pensou em desistir da ideia de ser músico? O que fez você se manter motivado(a)?

 [Thaysa]: Nossa, por diversas vezes, na verdade acho que todo dia lá no fundo essa ideia surge em algum momento, haha. Eu trabalho como musicista profissional (no sentido de conseguir viver somente disso) desde o ano passado. Toco com uma galera aqui em Vitória, artistas de diversos estilos e galera muito talentosa, tenho aprendido demais. Por um lado, fico muito feliz por poder trabalhar com algo que me dê felicidade, mas por outro lado a estabilidade pesa um pouco e você acaba se perguntando por quanto tempo mais aguenta a pressão e os desafios. Se não fosse a paixão, acho que já teria desistido. Mas essa estrada tem um longo caminho ainda e a gente vai lutando, aprendendo a cada dia. E a Auri é sempre a maior motivação, sem dúvidas! Projeto da vida ❣

[Bruno]: Bom, eu sempre tive algumas vezes que pensei em parar com a banda, mas se isso não acontecer, algo está errado não é mesmo? Eu tive bastante apoio dos amigos, e principalmente da própria banda, pois há uma certa cobrança em casa já que eu só estudo, mas é algo que eu sonho desde pequeno e que a Auri está fazendo acontecer. E eu estou amando trilhar esse caminho com essas pessoas maravilhosas.

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Banda Auri // Crédito: Lucas Pontes

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