MARCO: A música, mais que uma forma de falar é uma oportunidade de ouvir

Madrugada, sem pretensão de trabalhar até mais tarde e uma voz doce paira, um som que parece preencher cada espaço vazio do quarto, uma harmonia intensa misturada com aquele aperto que dá no coração quando você se percebe sentindo algo muito bom e tem medo que passe.

Esse foi o sentimento após ouvir o primeiro suspiro artístico compartilhado por Marco Antônio. Sendo novo no mercado musical, Maré, foi sua experiência pioneira em um estúdio. Gravada no Muzak, em parceria com Roge Victor no Baixo Acústico, a música teve repercussão suficiente para abrir portas e prospectar novos projetos que pretendem fortalecer a carreira desse novo artista.

A simplicidade acompanha Marco nas suas criações, o violão tem uma influência musical enorme, sendo este o elemento base para compor todas as músicas, mas ele garante: “Para o EP que vem chegando, outros instrumentos serão essenciais e mais que bem vindos”. No momento, ele vem produzindo em parceria com a MELLNER audiovisual, uma série de vídeos com algumas de suas músicas e depoimentos sobre o processo criativo.

Em uma conversa exclusiva com a equipe do Vitrola Digital, descobrimos um pouco mais sobre o músico e como anda a preparação do seu novo EP, que promete ser lançado no primeiro semestre de 2019.

Quais são tuas Influências na hora de pensar musicalmente?

Blind guardian faz parte dessa influência meio nórdica que me inspirou na questão da harmonia, ver ela funcionando e conhecer a música como uma abordagem folclórica. Of Monsters and men influencia muito na abordagem de instrumentos que se relacionam com o violão, que se fez presente mais por necessidade, que por escolha, no meu processo musical. O álbum deles “My Head Is an Animal” é muito importante pra mim por o perceber como uma obra em que as músicas conversam entre si, isso me influenciou bastante no que eu pretendo fazer no ep. Artistas e grupos recifenses como Siba, China, Mamelungos e Marsa, que carregam uma carga sentimental profunda nas suas composições.

Como tu entende a música hoje?

A música, mais que uma forma de falar é uma oportunidade de ouvir. Com a possível liberdade de expressão e veiculação criada pela internet, a gente recebe com mais facilidade a perspectiva do outro. Diversas culturas, movimentos e aspectos que evoluem a música como uma troca. Rola uma maturidade musical quando você se permite a isso. E acho que é justamente o que tá acontecendo, uma empatia sonora.

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Qual a tua visão do cenário musical brasileiro / pernambucano?

 Eu sinto que muita coisa boa vem surgindo no mercado e a música brasileira/pernambucana já é tradicionalmente muito rica, o que faz com que eu me cobre muito para entregar algo à essa altura. Ao mesmo tempo a gente tá passando por um período bem complicado, onde as pessoas vêm tentando diminuir o valor da arte e mesmo com os poucos incentivos que sobrevivem a esse momento de caos, é um mercado muito instável.

Sobre o EP, o que rege as músicas?

Cada música é sobre um sentimento muito específico e o EP é como um fechamento de ciclo. É sobre sentir medo, medo de não ser um artista bom o suficiente, medo de não expressar algo autêntico de uma forma que faça as pessoas verem por uma perspectiva diferente. Tento enriquecer tudo metaforicamente e toda musicalidade. Por isso quando as fiz no violão, tentei manter o maior grau de complexidade que eu fui capaz, sendo um músico ainda inexperiente. Foi uma tentativa de sair do geral de uma forma que me representasse.

Ao ouvir “Maré” a gente sente uma entrega emocional muito grande. Tu pode compartilhar como foi o processo de criação dessa música?

É uma história interessante. Eu tava em um café no bairro do Recife junto com uns amigos e Miró (Poeta recifense) abordou a gente com uns poemas escritos a mão, a gente convidou ele a sentar e ali começamos a ter uma conversa sobre a vida que criou um rebuliço muito grande dentro de mim, que me fez querer ir para lugares, me trouxe uma nova perspectiva. Foi uma conversa muito poética, até porque Miró tem uma relação muito forte com a cidade e vê poesia em tudo, isso me fez querer desbravar a escrita e eu precisava dar forma a toda essa energia que convergiu naquela tarde. Aí quando eu voltei, passei a noite e a madrugada sintetizando as ideias e terminei uma composição que tava pela metade, eu precisei viver aquilo pra ter força suficiente e colocar tudo no papel/violão.

A gente viu no seu instagram que você falou que pretende fazer um Crowdfunding. Como tá sendo esse processo?

Surgiu inicialmente como um trabalho para a faculdade e posteriormente se transformou em um projeto que está sendo produzido para viabilizar a criação de um ep de 7 músicas. Ele vai funcionar como uma vakinha virtual mas sem necessariamente se utilizar de sites organizadores, vai ser algo mais pessoal. Tudo vai acontecer através do Instagram e a partir das pessoas que aparecerem interessadas, eu vou entrar em contato com elas, mostrar a ideia e tentar fazer elas participarem do projeto. É uma forma de poder estabelecer uma ligação com o público, despertar a importância de acreditar em uma obra.

Para acompanhar Marco Antônio é só seguir no Instagram@marcoutom

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