Carol Ribeiro fala sobre “Pretinho” e dos planos futuro.

Com uma voz suave e letras que falam de amor, a cantora, compositora e instrumentista, Carol Ribeiro, aparece na cena musical pernambucana de forma sutil mas sem deixar a desejar quando o assunto é musicalidade. Carol iniciou seu trabalho na música por volta de 2008 na banda Bantus Reggae, onde fazia backing vocal e era tecladista. Em 2013 decidiu respirar novos ares e seguir carreira solo. De lá pra cá passou por diversos palcos e festivais consagrados como o Som Na Arena (2016), onde chegou a ser finalista com o segundo EP da sua carreira intitulado “Como É Bom”.

Recentemente Carol lançou o clipe de “Pretinho”, sua nova música. A faixa é marcada pelo destaque dos sintetizadores que deixam o trabalho com um tom mais dançante, combinando com a data de lançamento que foi próxima ao carnaval.

Batemos um papo com Carol para conhecermos um pouco da sua trajetória e saber dos seus planos futuros. Confira!

Vitrola Digital: Acompanhando suas músicas, pude sentir uma forte influência de alguns ritmos como rock, pop e até mesmo o maracatu. De onde vem as suas referências e em qual gênero musical você se classifica?

 Essa é sempre a pergunta mais difícil (risos). em qual gênero me encaixo… Bom, eu digo que faço um pop alternativo, porque minhas músicas são uma mistura de elementos do pop, mas que não tem uma pretensão exclusivamente comercial. Faço música por amor e meu estilo de composição é simples, tende a ter um refrão repetitivo, e atualmente estou começando a inserir o eletrônico, o que vai caracterizar ainda mais o pop.

Minha referência vem da música negra de Aretha Franklin, Michael Jackson e James Brown, mas ao mesmo tempo da MPB de Elis Regina, Céu, Gal Costa e do regional de Academia da Berlinda e Dona Onete. Sempre escutei muita coisa diferente por não me identificar com um estilo apenas.

Vitrola Digital: Há quanto tempo e como começou o seu trabalho na música? 

Iniciei como tecladista e backing vocal da banda Bantus Reggae por volta de 2008. Em 2013 resolvi montar meu próprio projeto porque eu já compunha e queria experimentar outros estilos além do reggae. Não tinha nenhuma pretensão de seguir carreira, queria apenas compor e cantar. Mas em 2016 gravamos nosso segundo EP “Como é Bom” e nos inscrevemos no concurso de bandas Som na Arena. Fomos finalistas do concurso, ficando em 4º lugar dentre 120 bandas.

Foi a partir daí que eu percebi que queria mais da música. Senti algo diferente de tudo que havia sentido desde que comecei a tocar e a cantar nas bandas e nos barzinhos. Ver o rosto das pessoas felizes, sorrindo, dançando e cantando ao ouvir a minha música não tem preço. É único, é mágico.

Vitrola Digital: Sabemos que mesmo com todas essas ferramentas de Streaming vários artistas enfrentam dificuldades para ingressar no meio musical. Como você lida com esses desafios, e o que te mantém motivada para continuar esse trabalho?

Apesar da facilidade que a internet e as plataformas digitais trazem, hoje vivemos outra dificuldade que é a da concorrência. Concorremos não mais com artistas da própria cidade, mas de todo o mundo. Por que alguém vai procurar uma Carol Ribeiro no Spotify se ele podem ouvir Beyoncé, Rihanna ou Anitta?

Então temos que buscar estratégias de atingir o nosso público. Eu uso bastante posts patrocinados no instagram,  facebook e youtube, mas confesso que não está fácil e nem sempre consigo o resultado esperado. Percebi que os videoclipes agregam valor à música, porque exploram também o visual e estamos em um momento em que todo mundo está ligado a imagem. Então, essa estratégia tem funcionado bem e consegue-se ir além do som, transmitindo uma mensagem também pelo visual.

Outro caminho é se juntar com outros artistas, fazendo participações ou shows em conjunto. Além de divulgar seu trabalho para um público diferente, fortalece-se o movimento do autoral, criam-se laços e um artista estimula o outro, se apoiando e se divulgando. São essas ações que nos estimulam a continuar, além do amor pela música, que é o que nos move independente de qualquer outra coisa. 

Vitrola Digital: A música “Pretinho”, chegou com um tom mais dançante e foi lançada logo após a semana de carnaval. Qual foi a mensagem que você quis passar e como foi o processo criativo que resultou no clipe?

Pretinho fala de Olinda, da nossa cultura e dos homens pretos que frequentam o local. A música é super dançante e tem tudo a ver com o carnaval, por isso fiz questão de lançá-la nesse período. Foi também uma estratégia de mercado porque as pessoas estariam procurando informações relacionadas ao carnaval e poderiam se interessar pela música. A mensagem é de valorização da nossa cultura e do nosso povo, principalmente os negros.

Nesse momento em que o Brasil chega até a negar que exista o racismo, precisamos falar sobre isso, esclarecer essa situação e mostrar que racismo existe sim e isso precisa ser mudado. Inicialmente não pensei que a música poderia ter algum impacto político nas pessoas, estava apenas compondo algo que vivi durante minha adolescência – eu ia pro Alto da Sé com meu grupo de capoeira assistir e jogar nas rodas, e a maioria das pessoas que frequentavam eram negras. Mas quando fui gravar a música meu amigo e artista Ciel Santos me avisou que a música poderia causar polêmica por causa da palavra “moreno” que foi retirada da letra após alguns debates sobre o assunto.

Quando ele me alertou que chamar um negro de moreno poderia soar preconceituoso, perguntei aos meus amigos negros o que achavam e isso gerou uma polêmica no facebook. Foi então que resolvi mudar a letra e coloquei o “pretinho” no lugar de moreno e entendi que chamar um negro de preto é uma forma de valorizar a cor e de assumir a negritude, e que moreno seria, para alguns, depreciativo. Um assunto bastante delicado, principalmente por eu ser branca e de classe média, mas acredito que “Pretinho” vem para exaltar o nosso povo e a nossa cultura, de uma forma leve e descontraída, como o clipe é.

Quais são seus planos para este ano? Podemos esperar mais algum lançamento? 

Pretinho é o primeiro single de 05 que serão lançados ao longo do ano. Representa o meu mais novo trabalho, voltado mais pro eletrônico do que orgânico e que tem uma postura mais pop e dançante. Amo ver as pessoas dançando no meu show, então esse ano vamos produzir um novo trabalho em parceria com o produtor Netinho Samuray, que é quem está produzindo comigo as novas músicas. Me aguardem!

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